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29 janeiro 2015

Estilhaçado

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(foto: Jefferson Ramos) 
O reflexo mente.
O reflexo no espelho distorce quem eu sou.
O reflexo das coisas ao meu redor distorcem minha alma.
Perdida em meio a tal desordem busco um ponto de convergência para me agarrar. Não há, então com um grito aflito minha alma é atirada em direção ao desconhecido.
Já não sei mais quem sou, não sei ao menos se eu deveria ser algo, se deveria querer ser algo.
Todas linhas e conexões de minha alma estão cortadas, rasgadas, jogadas pelo chão da minha existência. Sem começo, sem fim, sem meio, sem vida.
Diante de tal atordoante situação, fiquei nua e diante do espelho pude constatar que era minha alma que clamava por nudez, estava totalmente cheia, inundada de conceitos e defeitos tolos.
Me entreguei ao impulso de me lançar ao chão em completa melâncolia na esperança de que todas minhas lágrimas pudessem me deixar em um único movimento, um simples momento, mas elas continuam aqui, continuam em mim.
Continuava nua e minha pele tocava o chão frio de madeira enquanto o ambiente já era parte de mim. Queria flutuar, mas não podia. Meu corpo continuava pesado criando amarras junto ao chão, amarras essas que me custariam muito para soltar. Perdas, ganhos, medos e incertezas. Seria capaz de encarar?
Te clamo com toda força que já não tenho que me explique como a frágil constituição do seu ser continua a carregar tamanha carga dia após dia.
Explique como continuo caminhando quando a muito deixei de sentir as pernas, quando a muito deixei de sentir meu sangue correr e meu coração bater.
O reflexo mente e já não sou capaz de encara-lo. Em um impulso lanço meu instrumento espelhado ao chão, ele se parte em mil padaços. Agora me reflito. Estilhaçado (a).

18 dezembro 2014

Nada

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Essa história devia ser sobre o nada. Mas afinal, o que é nada além do... nada?
O que significa o nada em meio a tudo?
Que conto eu poderia contar para no final nada explicar?
Que palavras poderia empregar, para no fim deixar claro que não tenho mais nada a te dizer.
Nada. Só isso que restou.
De tantas despedidas que lhe dediquei essa, de fato, é a mais real. Nada restou.
Um bom dia, poucas palavras um tom um pouco seco de quem não liga para os adjetivos que emprega, "linda", "amor", "princesa"... tanto faz, não me importa mais.
Talvez, somente a figura (imaginária ou não) do criador possa saber com certeza o quanto esperei para lhe escrever essas palavras, o quanto esperei para novamente possuir meu vazio e embriagar com a solidão de não te ter mais por perto. Não te querer mais por perto.
Não por capricho, não por mágoa. É apenas o nada. Entenda.
Tentei te guardar, preservar em cada detalhe para que não esquecesse do teu sorriso e de teu toque, é estranho, mas me lembro apenas de teus olhos, porém tais olhos já não estão mais conectados com os meus. Busco uma ligação, quem sabe um pouco de emoção.
Você se tornou um personagem, um como tantos outros que moram em meus escritos tolos. Te dei minhas palavras e minha angústia.
Queria te dar minha amizade, meu companheirismo e tudo que lhe prometi, mas você, bruscamente tomou isso de mim como se fosse teu direito e minha obrigação, mas não era.
Agora tudo que sobrou pra ti... o nada.

17 dezembro 2014

Diferente

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Era uma noite comum. A luz estava fraca e como era de costume podia encontrar fumaça no ar e cinzas espalhadas por lugares no mínimo improváveis. 
Uma foto, o tal olhar vago, a música que embalava. 
Noite comum. 
As pessoas eram as mesmas de todos os dias, mesmos assuntos, mesmas risadas, mesmas piadas sem graça. 
"Terminei" disse o rapaz. 
"Vou ler" respondi. 
Eu li. 
Era eu, em essência, era mais eu do que eu mesmo saberia explicar. Pensei em protestar, afinal que te deu o direito de roubar minhas palavras confusas e transforma-las nessa tua escrita... tão especial. Era eu, mesmo que você não soubesse... 
Apesar de toda sua saliência e da minha rápida entrega era sua mente que me prendia, como um feitiço. Queria desvenda-lo, te esquadrinhar com toda psicose que você retratou tão bem, mas você era um mistério, um desafio. Talvez, isso explique meu repentino interesse nas fotos de uma rede social qualquer. A arte da perseguição nunca foi, das artes, minha preferida... mas querido, você está se tornando minha perdição, meu descontrole preferido. 
Tenho tanto para te mostrar, basta que aceite a mão que lhe entrego. 
Não existe regra, não existe vergonha e a grande verdade é que nosso elo talvez seja a loucura. 
Doce e encantadora loucura, loucura que me jogou na cama, envolveu meu corpo e para meu desgosto foi rápido em me fazer perder o controle, eu queria mais... então o dia amanheceu, era hora do adeus. 

Comecei do fim, cheguei até o começo. Era tolo, simples. simplesmente empolgante. 
Dizem que para viver para sempre basta amar um escritor. 
Será? 


Devaneio

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Ela me ligou e disse que eu era uma má influencia. Disse em tom de deboche que exaltar o errado já era banal, de fato, algo bastante trivial. 
Não poupou palavras para me lembrar o quão perturbada era isso que eu chamava de alma. Não sei ao certo se ela era cruel ou apenas desesperada. 
A verdade é que eu, já nem sei ao certo o que é ser uma influência, não sei o que é rebeldia, nem como é quando ela ocorre as avessas. 
Me rebelo contra o sistema ao não permitir que meu corpo seja invadido por fluídos corporais alheios? Ou sou rebelde quando permito que a fumaça destrua meus pulmões? Deveria eu, afinal, ser rebelde? 
Eles bradam aos 7 ventos conceitos a serem seguidos e outros a serem rejeitados. Gostaria de pensar que são apenas dois lado, mas não. São muitos lados, todos de certa forma, ou de alguma forma, errados. 
Ela diz que eu deveria me importar.  Que é álcool é fuga, desculpa. 
Talvez sim, talvez não. O que na minha vida é somente fruto da desilusão? 
Reflexão. Eles refletem em si e querem refletir em mim, refletir o certo, o errado. Querem que eu seja a drogada, a santa, garota atormentada, querem me provar que o caminho "x" é diferente do caminho "y". 
Usam de falácias absurdas ao declarar suas supremas verdades. 
Mas seria a única verdade absoluta o fato de não existirem verdades realmente absolutas? Contradição. Enganação. Ou não? 
Quem sou, ou quem deveria ser já não me importa mais. 
Sem hipocrisia, não quero estar certa, não quero estar errada, não quero ser boa, não quero ser má, no final... não quero ser nada. 
Estou bem cansada dessas rimas vazias que não chegam em lugar nenhum, em conclusão alguma. 
Tenho críticas, elogios, teorias e mais teorias. 
Dispenso. 
Meu cinzeiro está cheio, preciso limpar. Meu cabelo está bagunçado, mas por que deveria me importar? 
A luz é fraca, a música suave. Enquanto eles discutem permaneço aqui, inerte e imóvel. 
Devaneio. 

30 novembro 2014

Leviano

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Não quero pensar no dia que não estiveres mais aqui.
O dia em que seu toque se tornar frio e teu olhar distante, não eu não quero pensar.
Queria te guardar e para sempre te embalar, para que em meu coração você pudesse repousar.
Queria que nossas melodias fossem infinitas e que angustia se tornasse instantaneamente finita, para que enfim minha alma pudesse se acalmar.
Queria que você visse em meu olhar toda força que você precisar, e se essa força não me pertencer, vou buscar e encontrar e junto com todo meu amor, irei te dar.
O acalento do outono se transforma em gelo no inverno e assim teu corpo se afasta do meu e sozinha, já não posso me aquecer.
O tempo irá passar e não farei mais parte dos seus dias, então irei chorar. Quem pode dizer até quando, de mim, você irá lembrar?
Você disse que seu coração batia por mim. Me diga onde vai, para que eu possa continuar a sentir.
A grande verdade meu bem... é que tenho medo. Não quero te deixar ir, não posso te deixar partir, pois parte de mim vai contigo, de longe a observar você se afastar.
É isso que o tempo faz... ele passa. Ele afasta.
A unica coisa que fica é a dor, dor que não se disfarça.

03 novembro 2014

The dope show

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Um raio que não te mata.
Aproveita e desce a rua como se fosse rei. O mundo é teu, mas tua alma morreu.
Usa o que te mantém em pé. Eles querem ser você, feliz, rodopiando pela pista mergulhado em ácido. Esse é teu show, onde todos idolatram a mentira, não são capazes de encarar a verdade e almejam a camada branca da sua vida negra.
As luzes vão te guiar, o som, te embalar, mas sua mente foi andar e seu coração acelerado continua a sangrar.
A noite acabou e as luzes se apagaram. Onde estão todos? É manhã, e nossos tumulos gritam nossos nomes. É hora de voltar.
Da beleza restou a fraqueza, a olheira da qual você não consegue se livrar.
Tens apenas o pesadelo do qual não consegue acordar.
Eles dizem "bom dia" e tudo que você almeja é não ter mais que respirar, mas não há como escapar... Nosso show precisa continuar.

17 outubro 2014

Despedidas

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Assim como veio se foi, foi e não deixou nada para depois.
Com juras tolas prometeu manter a fortaleza intacta, mas ela caiu, em mil pedaços desmoronou.
Levanta e recolhe os pedaços, constrói o muro da solidão e nele se esconde. Aceita que perdeu, esse jogo já não é mais teu.
Cantou músicas de esperança, sonhou com o impossível e não imaginou o quão terrível seria... sentir.
Tola menina, não era isso que queria? Não eras tu que dizia não aguentar mais o vazio? Agora o buraco na tua alma está cheio... cheio de dor e novamente... nenhum amor.
A poesia se perdeu no ar, assim como tuas palavras... vazias e levianas.
Está velha, apesar de nova, cansada e bastante torta, usada e para alguns com uma aparência um tanto morta.
Termina de escrever tuas tolices e segue. Dele, pra sempre se despede.
Teu coração é forte e ainda tem muito que aguentar nessa vida.
Respondeu teu adeus com o silêncio, agora que escute o vazio de não ser mais ouvido.
Encontra outros olhos que acalentem tua alma, outros braços que te transmitam calma, outro peito quem que possas descansar a alma.

Ela era eu, ele você, eu não irei te encontrar essa noite.

13 outubro 2014

Diferente

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Era uma estrada longa, vazia e solitária. Me perguntei se ao menos uma vez podia ser diferente, mas meu coração endurecido não me permitia seguir em frente.
Queria somente me esconder já que não aguenta mais sofrer.
Será que seu olhar poderia me consolar, seu toque poderia ser somente meu? Ou era só mais uma como tantas outras as quais você precisa dar desculpas?
Não sei dizer, todo meu senso critico baseado em uma perfeita teia de lógica estava prejudicado e toda minha força havia se tornado inexistente em meio a tal paixão ardente.
Pensava que esse tipo de coisa já não pertencia mais a mim, estava apenas aguardando por meu fim.
Eu que busquei tanto por esse sentimento agora estou apavorada, como uma pequena criança amedrontada.

10 outubro 2014

Não era amor

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Um poema para embalar
Uma carta para lembrar
Lembrar que me esqueci
Estou livre, posso ir.

Seu amor me matou
Não era amor
Era horror

Fugi, tentei salvar o coração
mas você o levou
Em mim não restou mais emoção
Uma alma cheia... esvaziada pela dor

A canção não mais rimou
O coração não amou
Seu olhar nunca mais brilhou
Sua música nunca mais tocou

Clareia, coração em desalento
Para com seu lamento
Vai amar...
Sofrer, chorar, gritar

Vive sem ritmo
Sem rima
Esquece tua sina



Inferno

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Inferno constante, dor angustiante que se tornou paralisante.
Não posso me mover, não quero andar, qualquer passo um erro pode se tornar. Deveria eu lutar? Acreditar que dessa vez tudo seria diferente e que enfim eu poderia sentir? Ou deveria desistir antes mesmo de tentar para evitar me machucar?
Vou pegar minha bagagem, pesada, desgastada e seguir... Seguir mesmo sem ter para onde ir.
Meu caminho é incerto, sei somente que é sozinho, um tanto amargo, adocicado apenas por teu olhar que não pertence a mim.
Bossa nova, abraçada pelo anoitecer, acompanhada por tal sabor ardente do álcool que queima em minha mente. Abandono, desfaço da dúvida e me agarro ao certo que tanto machucou meu coração que teima em sonhar.
Agora vai, deixa parar, assim, do seu toque irei parar de recordar.
Desfaz, como névoa na noite escura, encanta, envolve e vai... vai embora ao amanhecer.





05 outubro 2014

Carta aberta sobre recomeço e dor

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O dia acabou, o tempo fechou, o amor? Nunca mais voltou. 
Seu coração ganhou ares de vazio, estampado do lado de fora do peito, desenhado com agulhas para te lembrar que a sala não possuí ocupantes, que a realidade é muito diferente dos desenhos. Está lá, para sempre em sua pele, em dor e artérias expostas, esse é seu coração e você não pode negar, resta aceitar. 
Então vá menina, abrace tal dor que tanto te sufoca e faz aquilo que pensava já não ser mais possível, recomeça.
Não deixa que todos aqueles que não acreditaram retirem sua esperança, ergue tua cabeça, carrega teu peso e anda. Anda com a determinação que te trouxe até aqui. Luta, transforma todos os machucados em força, é tua ultima chance. Não deixe o sangue em suas mãos te fazer desistir, assim, com o horror você vai conseguir lidar.
Em letras confusas grite que a menina amedrontada morreu, foi enterrada, porém não esquecida.
Dela ficou o olhar e a esperança que só a ingenuidade é capaz de conferir a um ser humano. Restou também as tristes lágrimas e as cicatrizes profundas, um tanto absurdas. Guarde-as com você, para nunca se esquecer.
Saia na janela e agradeça, faça uso de todos os clichês que bem entender, que bem quiser, tente amar, tente sorrir.
Cada dia será um recomeço, não tenha medo dos tropeços. E se cair? Levanta. E se doer? Aguenta, se sustenta.
O sol brilha lá fora e para ganhar antes é preciso saber como perder, mesmo assim, talvez sua maior vitória tenha sido aprender a abraçar a dor, conviver e assim conquistar, transformar.
Agora anda, larga de tanta melancolia e vá ver a noite, milhões de almas aflitas assim como a sua, milhões de dores tão iguais e tão distintas. Destrua seus sonhos, construa novos e destrua de novo, faça isso até dar certo, e quando der... sonhe outra coisa. O importante é nunca parar, se precisar, se arrasta. Se chover, se molha, lave tua alma com as gotas que caem do céu.

Deveria colocar aqui uma boa conclusão para você entender como deve ser, porém sua história não termina aqui, da mesma forma que esse texto também não... enquanto você respirar... ele deve continuar.

I wanna know have you ever seen the rain?