17 dezembro 2014

Diferente

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Era uma noite comum. A luz estava fraca e como era de costume podia encontrar fumaça no ar e cinzas espalhadas por lugares no mínimo improváveis. 
Uma foto, o tal olhar vago, a música que embalava. 
Noite comum. 
As pessoas eram as mesmas de todos os dias, mesmos assuntos, mesmas risadas, mesmas piadas sem graça. 
"Terminei" disse o rapaz. 
"Vou ler" respondi. 
Eu li. 
Era eu, em essência, era mais eu do que eu mesmo saberia explicar. Pensei em protestar, afinal que te deu o direito de roubar minhas palavras confusas e transforma-las nessa tua escrita... tão especial. Era eu, mesmo que você não soubesse... 
Apesar de toda sua saliência e da minha rápida entrega era sua mente que me prendia, como um feitiço. Queria desvenda-lo, te esquadrinhar com toda psicose que você retratou tão bem, mas você era um mistério, um desafio. Talvez, isso explique meu repentino interesse nas fotos de uma rede social qualquer. A arte da perseguição nunca foi, das artes, minha preferida... mas querido, você está se tornando minha perdição, meu descontrole preferido. 
Tenho tanto para te mostrar, basta que aceite a mão que lhe entrego. 
Não existe regra, não existe vergonha e a grande verdade é que nosso elo talvez seja a loucura. 
Doce e encantadora loucura, loucura que me jogou na cama, envolveu meu corpo e para meu desgosto foi rápido em me fazer perder o controle, eu queria mais... então o dia amanheceu, era hora do adeus. 

Comecei do fim, cheguei até o começo. Era tolo, simples. simplesmente empolgante. 
Dizem que para viver para sempre basta amar um escritor. 
Será? 


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